COMUNICADO 

Comunicado aos Órgãos de Comunicação Social - 22/10/2007

A ANIA – Associação Nacional dos Industriais de Arroz vem por este meio informar o mercado:


1. Desde 2004 que os preços da matéria-prima nacional, europeia e mundial têm vindo a subir.


2. Na campanha agora iniciada, a tendência altista de preços ainda se agrava mais, devido aos seguintes factores:


2.1. Aumento da procura mundial, quer para a alimentação humana, quer para a alimentação animal (rações). Devido ao crescimento demográfico, a China e a Índia estão com aumentos de consumo de arroz muito elevados. Também o aumento da classe média nestes países leva a que o consumo das variedade de melhor qualidade, normalmente usadas para exportação, também suba. Na Índia, o governo aumentou o preço de intervenção para garantir stocks de segurança face à escassez.
2.2. Quebra da produção em alguns países produtores importantes e baixa dos stocks mundiais (os mais baixos desde há 25 anos). Com consequências para o mercado nacional, cheias na Guiana e na Índia provocaram, respectivamente, quebras de produção no arroz importado Agulha e Basmati, provocando subidas de preços acentuadas, em particular para este último.
2.3. Quebra dos níveis de exportação a nível mundial, com países como a Índia (3º exportador) a proibir as exportações de arroz (excepto o Basmati), retirando do mercado cerca de 3,0 MT. Com o encerramento das exportações na Índia, o mercado da Tailândia (1º exportador) reagiu em alta, mantendo-se a expectativa de subida nos próximos tempos, uma vez que o Paquistão continua a não incentivar as exportações, e não é esperado que o Vietname (2º exportador) emita novas licenças de exportação até Novembro. Também as exportações dos EUA para a UE, normalmente elevadas, foram banidas pela indústria europeia, devido à detecção de arroz geneticamente modificado durante a campanha passada.
2.4. Subida de preços dos outros cereais (trigo, milho, cevada, etc.), que competem com o arroz, quer ao nível da produção, quer do consumo. A constante subida do preço do petróleo (±80,0 USD/barril) tem impulsionado a utilização dos cereais para a produção de bio-combustíveis.
2.5. Aumento brutal dos custos de transporte e sua escassez (barcos, contentores e pessoal especializado), devido ao aumento do comércio mundial (China, Índia, etc.). Estes factores têm tido uma consequência explosiva nos preços dos cereais e do arroz como matéria-prima: EUA +50%; Tailândia +40%; Vietname +40%; Guiana e Suriname +40% (Fonte: FAO). Como resultado, os preços da matéria-prima na Europa também se agravaram. Desde 2004, houve um aumento de preços na UE entre 60% e 100%.


3. A par destes aumentos no custo da matéria-prima, também os custos energéticos, de transporte, técnico-legais, e de distribuição, a nível nacional, têm sofrido um agravamento considerável.


Face a estes condicionalismos na produção de arroz branqueado, a ANIA, consciente do peso deste produto na dieta dos Portugueses, vem alertar para a inevitável subida a curto prazo do seu preço ao consumidor.

Lisboa, 22 de Outubro de 2007

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